bom dia caros leitores,
espero que se encontrem bem!
hoje escrevo-vos sobre o meu primeiro dia inteiro em macau.
assumo que estou a escrever isto na manhã do dia seguinte, dado que não tive capacidade para escrever nada ontem à noite – ao contrário daquilo que, egocêntricamente, previa – não sou imune ao jet lag, e estar acordada depois das 17h foi ontem um enorme desafio.
primeiro – a pedido da ana- passo a explicar o que aconteceu durante a viagem para cá, de acentuada aventura. no post anterior fui misteriosa sobre esta situação (mas apenas por sono). além de puder partilhar isto com a ana, é sempre bom ficar aqui registado.
a viagem helsinki-hong kong (para a ana)
na verdade- a grande questão desta minha “aventura” deve-se à minha inexistente experiência de viagens de longo-curso. acontece que o lugar que selecionaram para mim foi o lugar de emergência (ótimas notícias – more leg room!), mas por ser tão diferente do que alguma vez experenciei (voo, avião, “adereços” da viagem) rapidamente assumi circunstâncias que não eram reais. passei o meu cartão de embarque e pouco depois estávamos a entrar no avião. claro está que na manga de entrada já não tínhamos a internet do aeroporto, então dei por mim sozinha, sem internet e sem qualquer forma de contacto com família e amigos. já sentada no avião, encontro-me num lugar diferente de todos os lugares ao meu redor – um lugar sem ecrã, sem mesa e sem sítio onde pôr a minha mochila (neste caso – o meu objeto de conforto e casa). rapidamente assumi que estava completamente incontactável, num voo de 12 horas, sem qualquer entretenimento, enquanto toda a gente a meu lado já explorava todos os filmes que iriam ver, nas horas que se seguiam. comecei a sentir as lágrimas a escorrerem-me pela cara, sem qualquer consentimento,e para mal da minha ansiedade estavam a fazer inspeções ao avião, o que atrasou a nossa partida em trinta minutos. isto, claro, é extremamente engraçado, sabendo o que sei hoje, mas ali o stress acumulado venceu, e ainda chorei uns bons minutos (faz parte, é necessário).
assim que me foi possível comprei um pack de internet para todo o voo (se não ia ter ecrã, nem a minha mochila, ao menos comunicava com amigos e família) mas pouco depois de descolar-mos apercebi-me que alguma coisa estava por baixo do meu apoio de braços – e dei por mim com um ecrã, igual a todos os outros (e eventualmente também me explicaram como é que se abria a mesa). resultado- chorei, gastei dinheiro, e tive o melhor lugar do voo (espaço para esticar as pernas, ecrã, mesa, e tudo a o que tinha direito). aproveito para mencionar que vim sentada ao lado de um casal com um bebé mas, talvez por alguma prévia boa ação, o karma foi simpático e sentou-me ao lado do bebé mais bem disposto possível – num voo de 12 horas não chorou uma vez – todos os sons que eventualmente dali saíram foram risos.
em suma – correu tudo bem, salvo o meu dramatismo de iniciante em viagens de longo curso 😀
voltando ao primeiro dia completo em macau – acordámos cedo e fomos para macau (centro). estamos atualmente a viver em coloane e, por norma, apanhamos o autocarro 25 para ir para macau, taipa, etc…
como a minha guia turística se encontrava a trabalhar – acabei por explorar macau por minha conta (e tive a minha primeira experiência de gritarem comigo em chinês! – yay!).
andei de um lado para o outro a tirar fotografias e a filmar e dei por mim, várias vezes, a sorrir. a joana deu-me uma missão- ir comprar um cartão sim. ela disse-me para ir falar diretamente com as pessoas ao balcão, que me iam logo ajudar a fazer o set up do meu primeiro número chinês mas como sou uma pessoa algo introvertida – encontrei uma máquina onde conseguia comprar um cartão e assim o fiz – desculpa joana, mas tenho um número chinês! E este passo foi importante para ter uma conta MPay, que é a forma de pagamento mais eficaz por estes lados (tudo digital, em todo o lado).
Comemos dumplings na pausa de almoço da joana, e quando ela voltou eu tornei a andar por macau, sem destino. acabei por ir para uma parte mais fabril/zona de pescadores, e foi incrível. foi também nestas voltinhas que levei na cabeça, numa lingua que não percebo (muito eficaz, muito intimidante), e antes que me perguntem o que fiz – estava a tirar foto a um prédio (câmara a apontar para cima, a apanhar várias camadas de prédios) e suponho que a senhora assumiu que a estava a filmar. tentei responder em inglês mas permaneceu chateada comigo, ainda na sua lingua nativa. é muito estranho sentir-me tão turista, mas está a ser uma experiência muito interessante.
depois da joana sair do trabalho fomos buscar café e pude finalmente reencontrar uma caríssima persongem de macau – margarida vidinha!
a vidinha veio ter connosco e rapidamente pôs tudo em ordem – dinheiro na minha conta (por intercâmbio dela), arranjei medicação diária (que tinha deixado em portugal) e foi-me apresentada uma incrível loja de discos (onde a aficionada musical vidinha comprou um vinil dos abba) – gravei este momento em vídeo, eventualmente partilharei por aqui!
depois assentámos num café-restaurante, onde as garrafas de cerveja iam surgindo e desaparecendo, e onde bebi uma coca-cola com gelo, enquanto gradualmente me ia caindo o peso do tão aguardado jet lag. conheci também outra personagem de macau – a inês, e acabámos por ter todas uma tarde muito divertida, de conversa, convívio e noodles com carne e pimenta.
lá pelas 17 horas conseguia ouvir a conversa e responder, por vezes, mas sentia o peso do meu corpo de uma forma absurda – o cansaço físico, a cabeça a latejar e tudo em mim a suplicar para voltarmos à barraca e deixar-me dormir. no entanto – aguentei-me e ainda fomos passear o caju (cão da vidinha – um amorzinho de cão).
quando chegámos a casa fui tomar banho e queria vir escrever-vos algo mas a joana, responsavelmente, mandou-me ir dormir. depois de um enorme ataque de riso (proveniente, sem dúvida, de um cansaço extremo) caí para o lado e acordei hoje (05/11) às 7h da manhã. deixo-vos agora algumas fotos deste meu primeiro dia de deambulação macaense e retiro-me, já que tenho de dar um pulito à china e voltar a tempo de jantar.
estou feliz, mas exausta, mas feliz. obrigada joana e obrigada vidinha e obrigada inês e obrigada caju e obrigada a vocês, como sempre, por me irem acompanhando. trago-vos aos ombros, a todo o lado que vou (mas escondam-se, que as fronteiras aqui não são brincadeira nenhuma).
até já,
guida, macau.























Deixe um comentário