novembro em macau – dia 6

saudações camaradas, amigos, e fieis leitores desta minha aventura,

hoje escrevo-vos sobre o dia mais preenchido e caótico que tive desde que cá cheguei -um dia que começou às 8h30 num hotel em hong kong e acabou as 6h da manhã num barraco em macau (home).

acordei de um pesadelo naquele nosso quarto que muitos sonhos bizarros nos providenciou (mas mesmo – tanto eu como a joana tivemos pesadelos estranhíssimos naquelas duas noites). fizémos a mala e entregámos a chave às 10h. tinha a mochila carregadíssima (o que foi a maior dificuldade do meu dia) mas seguimos por hong kong para eu conhecer um pouco mais desta cidade. e posso dizer que é, de facto, incrivel. a dimensão absurda dos prédios, com o contraste de alguns verdes espalhados pela cidade – hong kong acaba por ser uma cidade estranha e diferente do que alguma vez já experienciei – tem todos os luxos de um local citadino, no capitalismo corrente (fast fashion, high end brands, fast food chains, etc) e todo o ruralismo de mercados de rua e pequenos negócios, lado a lado. tem também, como se vai vendo em todo o lado do mundo, a distopia óbvia entre PRADA e fome.

quero que notem também num pequeno detalhe de hong kong – contado pela joana – ontem foi domingo (que agora sei ser o dia de folga das empregadas domésticas em hong kong), e é neste dia de descanso que a enorme comunidade filipina se une pelas ruas da cidade – as ruas são fechadas pela dimensão quantitativa de todas estas mulheres, que juntam comida, maquilhagem, danças, cantos, roupas e de tudo um pouco – umas com as outras. são pessoas que não têm tecto, salvo durante a semana (onde vivem na casa dos patrões, em trabalho). no único dia livre que têm acordam cedo e unem-se, em comunidade – na rua que lhes é tecto. enquanto bonito como exemplo de comunidade e união, é mais um exemplo frustrante da pobreza extrema que a sociedade moderna inclui. adorei hong kong, mas a distopia é geral, pelo mundo fora.

quero agradecer também à Bonnie Pang (@bonniepangart) pelo autocolante gratuito que me deu, ao mostrar-lhe uma foto da estrela (para os menos atentos – a minha cadela). além de ser uma ilustração incrível, é muito simpático ter agora um lembrete do bichinho que deixei em portugal. por favor dêm um olhinho na página dela do instagram – o estilo de ilustração vale mesmo a pena!

mostro-vos também que ao pequeno-almoço decidi comer bolachas do Marks&Spencer e um caramel latte. Já ao almoço comi, uma vez mais, uma sandes de atum (também do M&S).

eventualmente metemo-nos no ferry e voltamos para macau (estação maritima da taipa) onde bebi outro café com caramelo (o melhor, até à data – 10/10). fomos então para o fisherman’s wharf onde, antes de nos sentarmos para beber coca-cola com limão (ou cerveja, no caso das minhas companhias), demos de caras com uma convenção de cosplay (notem que a vidinha me obrigou a tirar foto com uma das meninas de cosplay, porque sabia que eu tinha vergonha e ninguém me respeita aqui (piada, mas estou rodeada de extrovertidos, o que a bem ou mal me está a fazer bem – sair da zona de conforto e cenas). depois de uma tarde de cervejas (ou coca-cola) fomos jantar e comi massa à bolonhesa. pouco depois fomos para o karaoke, onde posso dizer que todas brilhámos. foi também a despedida da inês, que parte agora numa viagem única pela ásia, até voltar a portugal para passar o natal (e onde tentará, e certamente conseguirá, voltar a macau para ficar).
conhecer a inês foi um detalhe incrivel desta minha viagem a macau e de tudo farei para bebermos uma cerveja entre montemor e estremoz, num dia em que esteja por portugal. és muito fixe, inês.

foi uma noite muito divertida. a joana ficou bêbada (é raro ficar mais do que tocada, então foi, como amiga, uma experiência interessante de experenciar);
cantámos imenso (ainda estou um pouco rouca) e foi certamente uma noite muito diferente. agradeço aqui, mesmo sem chegar ao alvo, ao charles, que além de cantar sozinho e connosco, ao longo da noite, nos pagou as cervejas e águas que consumimos durante todas aquelas horas. quero agradecer mesmo à companhia desta noite – estive feliz em macau com a joana, a vidinha, a nossa amiga aniversariante e a inês 🙂

já exaustas, chegámos a casa (home sweet barraco) às 6h da manhã, onde caí para o lado, de sono. e assim se passou uma noite.

até já,

guida, macau.


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Comentários

Respostas de 2 a “novembro em macau – dia 6”

  1. oi guida, estou de volta. voltando agora do aeroporto Humberto delgado onde tu terás daqui a uns dias, voltei agora dos Açores e estava ansiosa to catch up on your story

    de novo, um capítulo mega interessante. Eu ja tinha ouvido falar da situação dessas mulheres filipinas trabalhadoras, mas confirmado e fotografado por ti hits different. que insano :((

    num tom mais leve e feliz, deste mais um check point na minha check list da vida: ir a um mercado/evento de arte (tecnicamente o teu foi mais de cosplay mas se tinha banquinha com stickers pra mim CONTA) na Ásia. juro que os mfs ai SAO DIFERENTES tem a arte mais linda de sempreeeeee (sonho; ir numa na indonesia, tailandia obvioooo, hong kong e singapura. tirando os espanhois, os meus ilustradores favoritos sao de la). por isso fico mesmo feliz de teres experiênciado isso hehe E AMEI AS FOTOS DE COSPLAY HAHAHAHA

    e essas bandeiras lindaaasss🇭🇰🇭🇰🇭🇰

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    1. caríssima ana,

      acho mesmo que vais ADORAR tanto daquilo que vou vendo, pela minha curta estadia na ásia – desde os mercados de rua como lojas, comida, transportes – sinto mesmo que quando for a tua vez – vais estar extremamente feliz a explorar este mundo diferente – e eu cá estarei, para acompanhar tudo aquilo que queiras partilhar nessa tua viagem! até lá- farei o meu melhor para te mostrar tudo aquilo que possa- sobre o meu trajeto por estes lados!

      em relação à bandeira- talvez consiga trazer uma delas para portugal, mas quem sabe? 😉

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