saudações caríssimos leitores,
hoje escrevo-vos sobre um dia diferente (como se todos os dias aqui não fossem já parte de uma realidade atípica nos meus dias). começámos o dia com uma tentativa (falhada) de tomar o pequeno-almoço no café junto à barraca. claro que, com a nossa sorte – quarta-feira é o dia de descanso, então voltámos para casa, de barriga vazia. era supostamente o nosso dia de descanso também- a joana sem trabalhar, eu a segui-la.
no entanto – passámos de um dia calmo e livre de pressas para um dia cheio, cansativo e embora positivo – muito exaustivo. a joana apercebeu-se que afinal teria de trabalhar, mas sugeriu que eu continuasse com os nossos planos, mas sozinha. para mais algum contexto – hoje foi o dia destinado ao meu jantar de boas-vindas a macau (com algumas das pessoas da joana e da vidinha), e para celebrar tal evento – as minhas duas amigas decidiram que seria incrível se celebrássemos esta minha vinda com perucas na cabeça (eu juro que este facto é relevante para o dia de hoje).
a joana deixou-me, então, num supermercado em macau – comprei estrelitas, chips ahoy e umas batatas asiáticas cuja minha razão de compra foi, sem qualquer dúvida, pela mascote. pós-compra voltei para a barraca (todos estes trajetos foram através do fiel autocarro 25) e escrevi o post do dia de ontem. pós-post apanhei, uma vez mais, o 25 e saí na estação terminal (Portas do Cerco), onde se encontra a fronteira macau-china (macau-zhuhai).
e assim começa a minha solitária viagem a zhuhai, e a minha primeira vez em contacto direto com a fronteira chinesa (e todas as burocracias e rigidezes que tal fronteira impõe). foi um processo lento, dado que tive de mostrar o passaporte à saída de macau e à entrada de zhuhai (e ao contrário, no retorno), em filas enormes para os “foreigners” ou “visitantes”.
depois de mostrar o passaporte, passar a minha mochila pela segurança, assinar um papel, doar a minha fotografia e impressões digitais ao império chinês e ter o meu passaporte carimbado de vermelho- cheguei a zhuhai e apressei-me a começar a minha missão: encontrar perucas divertidas (e coloridas) para o jantar em minha honra.
repito- que fique registado que fui à china porque a joana me pediu para ir comprar perucas, e eu gosto de ajudar os meus amigos. e digo-vos: (espero que não esteja a ser controlada digitalmente, agora que a china sabe da minha existência), que não foi uma boa experiência. ao sair da fronteira caminhei até ao “buraco” – termo que os “locais” dão ao centro comercial mais horripilante por onde passei. deixo-vos agora alguns registos textuais que captei neste momento do dia:
“acabei de encontrar o meu próprio inferno pessoal”
“isto é literalmente um purgatório capitalista”
“eu acabei de entrar no buraco e já estou exausta.” (michael scott chilla)
andei quilómetros dentro do fantástico “zhuhai port plaza” e perdi anos de vida naqueles corredores infernais com música alta, luzes demasiado acesas e vendedores ambulantes. andei, perguntei e tentei mesmo não me perder até que obtei por desistir da missão (dado que não havia qualquer rasto de perucas ou semelhantes adereços festivos). voltei então para macau – mais filas, mais carimbos de passaporte – de mãos a abanar, e para minha surpresa – fui encontrar as ditas perucas mesmo “à porta” de macau. escusado será dizer que fui à china “passear” e odiei cada segundo. é um mundo diferente e extremamente controlado (notem que só tirei quatro fotos, porque tinha medo de me verem a fotografar a cidade, e de ter consequências legais) – eu sei que não é assim que funciona, mas estas fronteiras são, sem dúvida, muito intimidantes.
já depois de chegar – encontrei as perucas numa loja japonesa, em macau, e não sentia as pernas. depois fomos jantar a um restaurante de marisco (Cais 22) e conheci algumas das personagens macaenses que me vão acompanhar também nas próximas semanas. confesso que o cansaço foi vencendo ao longo da refeição e estava muito cansada – fisicamente, intelectualmente e emocionalmente. quando chegámos a casa tivemos, uma vez mais, um enorme ataque de riso, até adormecermos.
como vos tenho a todos em grande estima e consideração- tenho em conta todo o feedback que me vão deixando (o que me ajuda bastante, na verdade, a completar este meu complexo registo de uma enorme viagem). A vosso pedido vou passar a partilhar convosco mais detalhes sobre os transportes disponÍveis e sobre a comida! vou tentar lembrar-me destes dois pontos ao longo do dia e passar a tê-los aqui representados também (neste post ainda ficou por fazer, porque não tirei fotos)!
deixo-vos no meu cansaço e desejo-vos um bom início de dia (ou boa noite, dependendo de quando leêm). amanhã será outro dia e prometo registar com mais detalhe tudo o que for comendo e vivendo.
obrigada por lerem e por permanecerem neste meu acompanhar.
até já,
guida, macau










Deixe uma resposta para frecklyfrog Cancelar resposta