e escrevo-vos agora, às 6h da manhã da finlândia, a umas horas de casa. confesso, como devem ter sentido, que os posts dos últimos dias demoraram algum tempo a sair – por mais que tentasse manter a minha fieldade narrativa para convosco – deixou de me ser possível visitar, ver, fotografar, filmar, e viver uma vida com tanto para mostrar e manter a escrita diariamente, para convosco. até por uma questão de justiça a macau- andar a partilhar os meus dias de uma forma apressada e sem grande pensado conteúdo também não andava a fazer jus a tão importante viagem. e hoje escrevo-vos, ainda sem ser a minha despedida final, com um pequeno guia de viajante a estas terras bonitas – se quiserem evitar o guia – podem só fazer scroll, onde vos conto a restante história – da minha chegada a lisboa.
- levar bastante dinheiro e pagar por uma mala de porão, no mínimo – isto devia ser óbvio, mas a minha forretice falou mais alto nesta minha viagem, e acabei por sentir isso na pele. comprem a mala, que a vida são dois dias, e levar lembranças de uma viagem enorme vai valer a pena.
macau (e hong kong) são sítios cujo transporte tende a ser bastante barato – cada viagem de autocarro (se for paga em dinheiro) custa 6 patacas (equivale a 60 cêntimos), e leva-vos de uma ponta a outra de macau, taipa, coloane, hac sa, etc… a parte das deslocações (exceto ferry’s macau-hong kong) são preços bastante simpáticos e das poucas coisas com que me tive de preocupar. no entanto, é importante notar que a diferença de gastos entre euros e patacas (moeda oficial de macau) são muito grandes. nunca na vida tinha experenciado – ao mais alto nível- o que é ser alguém que vive com dinheiro do monopólio. ah e muito importante- tentem sempre pagar o autocarro em moedas, já que não vos dão troco, nos autocarros – não é muito dinheiro, mas se derem uma nota de 10 patacas (equivalente a um euro), não vão receber troco (“perdem” o equivalente a 40 cêntimos- não é grave nesta situação, mas no caso de só terem notas grandes, recomendo mesmo irem trocar, já que não vão receber troco!) - MPAY (+ número chines) – assim que chegarem a Hong Kong, caso não tenham já comprado um eSIM online, podem comprar um SIM – isto dá-vos um número chinês e internet ilimitada, durante toda a vossa viagem- além disso, caso viajem para diversos locais, podem comprar um SIM que vos garanta a internet e o número em Macau, Hong Kong e China, garantindo que estarão cobertos e descansados ao andarem por qualquer região chinesa. comprei o meu SIM em Macau por 100 patacas- equivalente a 10 euros e tive internet e chamadas o tempo todo, em todo o lado – não dá para não terem internet na china – arranjem LOGO esse SIM, para não se perderem. Aviso-vos também que o google maps não é incrível em território chinês (sorry, ana). Se tiverem IPhone recomendo usarem apenas o Maps, já que funciona bastante melhor por lá. Se tiverem amigos em Macau podem usufruir de algo bastante útil, em Macau- o MPay.
O MPay é uma aplicação muito usada na Ásia, por pôr tudo na palma da tua mão- com o MPay os pagamentos são mais rápidos e evitam-se as notas e as moedas. Além disso, um pouco como o nosso MBWay, é a forma mais fácil de enviar dinheiro a amigos, através do número de telefone. Para criar um MPay basta ter número chinês. no entanto- é necessário ter uma conta bancária chinesa para depositar dinheiro. desta forma só consegui usufruir do MPay porque levantei dinheiro (3,000 patacas = 300€) e a vidinha (e mais tarde a joana) depositaram na conta delas e enviaram para mim – ficando com 3,000 patacas à minha disposição, na minha conta de MPay. Isto foi-me extremamente útil porque facilitou todos os pagamentos que fiz daí em diante- assim como facilitou dividir contas, entre amigos, em jantares) e garantiu que conseguia gerir melhor o meu dinheiro- ter patacas em notas é algo perigoso, já que parece sempre que temos imenso dinheiro, mas esgota-se num instante. por mais que saiba que 500 patacas são 50 euros – quando se vive e se está lá, há uma pequena parte do cérebro que assume uma riqueza que não é real – tudo parece barato comparado com as nossas notas de 500 ou 1000, mas vai tudo muitissimo depressa. - já de uma forma mais tradicional (e sem MPay) – podem sempre levantar dinheiro assim que lá chegam e geri-lo ao longo do tempo. A moeda oficial de Macau é a pataca (MOP) e provavelmente só em território macaense vão puder levantar dinheiro em patacas. em Hong Kong, caso precisem, podem levantar Hong Kong Dollars, de forma a pagar transporte até Macau – ou autocarro direto, ou dois autocarros. em relação a levantamentos- depende dos cartões bancários mas em norma o Bank of China vai reconhecer sempre o vosso cartão e deixar-vos levantar dinheiro. diria, no mínimo, para uma viagem destas, levantar 5.000 patacas (500 euros) mas dependendo da vossa forretice e da força que tiverem para não comprar tudo aquilo que é diferente, e giro, e engraçado, pode ou não ser suficiente.
- se estiverem a viajar sozinhos recomendo pagarem um pouco mais e terem autocarro direto para o aeroporto – aproximadamente 40€ (mas devolvem-vos 13€ em Hong Kong Dollars para gastarem no aeroporto) – é algum dinheiro mas se estiverem carregados e sozinhos pode ser um grande alívio – a viagem é rapida, ficam já dentro do aeroporto e a pouquissimos passos de entrarem, passando por segurança e passaportes especificos, bem rápido. especialmente antes duma viagem tão grande – menos movimentos desnecessários acabam por ser muito bons para evitar tanto cansaço.
- recomendo começarem a comprar lembranças ou coisas que queiram assim que as vêm- não com o intuíto de incentivar fome capitalista, mas porque provavelmente podem não voltar a passar por ali- macau é pequeno e mesmo assim houve muitíssimos sitios por onde não voltei a passar, durante toda a minha viagem. quando há muito para ver – se virem algo que querem muito – tentem não deixar para depois, já que muitas vezes o tempo não vai dar para tudo. além disso- quanto mais rápido “despacharem” as lembranças, menos stressados estarão nos últimos dias da vossa estadia (falo por experiência própria);
- se se virem apertados de dinheiro podem sempre ir comer ao IKEA – não acredito que isto é mesmo um ponto de recomendação que estou a fazer, mas o IKEA macaense é extremamente barato, e tem várias opções de refeição. além disso – é na taipa, então acaba por ser uma localização bastante central. também têm as típicas refeições rápidas, espalhadas por todo o lado- instant noodles também alimentam.
- não vale a pena levarem garrafa de água, já que não há fontes nem sítio onde encher, na maioria dos sítios. o mais certo é estarem sempre a comprar garrafas de plástico – péssimo para o ambiente, sim, mas não terão grandes opções.
- recomendava experimentarem a parte turística primeiro – os casinos, o parisian, londoner, venetian, a réplica do coliseu romano no Fisherman’s Wharf, StudioCity, torre de Macau, ruínas de s.Paulo, praça do senado, farol da guia, museus, vila da taipa, etc…) e depois irem alargando a vossa pesquisa, até chegarem às partes mais reais e citadinas deste local- visitem as praias – nunca para tomar banho, mas para experenciarem uma praia diferente, explorem a vila pescatória de coloane, os inúmeros mercados, espalhados por toda a parte, os inúmeros parques e jardins e tudo aquilo que forem descobrindo, ao deambularem pela região. peço-vos também, como um favor pessoal, que vão a um karaoke – idealmente o “Club China”, em Macau, e se encontrarem o meu amigo Charles – deêm-lhe um abraço por mim;
- recomendo levarem pelo menos uma câmara fotográfica- claro que podem sempre tirar fotografias com o telémovel, mas como sugadores de atenção, mais facilmente se vão ver distraídos, enquanto se estiverem a explorar todas estas regiões com uma camara ao pescoço- podem deixar-se apaixonar pelo que vão vendo, sem pararem de o viver. claro que este ponto é, como todos, completamente opcional, mas eu juro que não ia aguentar estar na ásia sem forma de captar tudo e nada, que fui vendo;
- se a vida assim vos permitir- por favor viajem o máximo que conseguirem- nesta viagem não foi esse o meu objetivo, mas dei por mim arrependida de não ter explorado mais – estando no continente asiático. se assim o conseguirem- recomendo imenso aproveitarem a localização para conhecer outros sítios- china, japão, tailândia, vietnam, filipinas etc… na minha próxima vez- vou tentar explorar melhor a ásia, tendo-me deixado ficar por Macau e Hong Kong.
- se quiserem ver pandas, por mais que tenha falado mal daquilo, podem saciar a vossa curiosidade no giant panda pavillion – é gratuito portanto tecnicamente não vão estar a apoiar o enjaulamento dos animais, mas pronto – é deprimente, na minha opinião;
- para café: elysee; ujicafe e trigo d’ouro;
- para matar saudades de gastronomia tuga: macalhau e lusitanos;
- aproveitem as bibliotecas públicas – são espaços gratuitos com internet, livros e muita coisa e estão abertos muitas horas do dia;
- se viajarem com a finnair peçam blueberry juice (é gratuito)- é muitoooo bom (e eu tendo a ser esquesita)!
depois de 14 longas horas, onde permaneci sem perceber como baixar o assento- mais 14 horas a dormir sentada- yay, finalmente cheguei a helsinki. entretanto já me despedi do meu fantástico número chinês (e troquei para o português), já me sentei a usufruir de um frappuccino de caramelo (por um simpático barista chamado cece, que além de me pôr um coração junto do nome, pôs imenso caramelo- amo-te cece) e aguardo agora, depois de comer e beber um enorme balde de café (já pós-frapuccino, e já pós-passaporte/segurança) aguardo por entrar no avião que me levará a casa. confesso que estou ainda algo apática, mas sei estar a sentir imensas coisas, por baixo desta minha forma calma de estar. e sei que vou demorar semanas até sentir que aterrei em solo português. estou um pouco cansada, mas pronta por chegar a portugal. da próxima vez que vos escrever já estarei de volta ao meu quarto, na minha cama – longe de qualquer vestígio(físico) do barraco.
até já guida,
helsinki.
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e por incrível que pareça- aterrei em lisboa.
recolhi a minha mala e fui recebida pela minha querida mãe, que se mostrou fiel leitora deste blog (topem o “gu-ida” no sinal que me recebeu).
depois de muitos abraços e alguma confusão, estava num carro familiar, e rapidamente numa casa familiar- a estrela recebeu-me, para minha surpresa, com muito entusiasmo e muita saudade, e está um ser absolutamente carente de mimo – algo que estou, obviamente, a dar. tentei ao máximo ficar acordada até às 21h, pelo menos, mas perto das 19h já teria caído para o lado, de puro cansaço. e adormeci na cama que volta agora a ser minha.
caríssimos leitores – termina assim a minha viagem única a macau.
hoje deixo-vos com poucas palavras, mas não será o fim deste meu relatório final – depois de voltar a ser portuguesa, e quando tiver sequer força emocional para o fazer – escreverei-vos, uma vez mais, sobre tudo aquilo que foram estes meus dias. obrigada por me acompanharem nisto que será para sempre uma viagem fundamental e importante, para a vossa fiel escritora.
ainda nem o sei dizer, mas macau já me faz falta. assim que voltar a ser pessoa falarei (e muito) sobre o que foram estes meus dias- a inúmeros niveis. até já, macau.
guida, lisboa.















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