novembro em macau – dia 16

saudações caríssimos leitores,

é com o coração nas mãos que vos escrevo sobre este que terá sido o meu ultimo dia completo em macau.

comecei por ir almoçar ao macalhau, já que acordei perto das 10h30, e tinhamos almoço planeado e pronto para as 13h. depois de comermos à pressa, eu e a joana, já que ela tinha de voltar ao trabalho pouco depois, fiquei durante algumas horas a falar com o Cris – o dono e chefe do Macalhau- sobre portugal, macau, mudanças de país, e sobre o seu percurso, no geral. foi uma conversa extremamente enriquecedora no que toca à situação política e financeira de Macau- as esmagadoras diferenças entre abrir um negócio por lá e abrir um negócio em portugal- os prós e contras da vida lá, em contraste a solo português. muitíssimo obrigada cris – pelo teu tempo e pela tua disponibilidade no que fui uma incrivel conversa.

noto também, já que me parece um detalhe engraçado, que muitas vezes somos interrompidos, quando estamos nas zonas mais turísticas da Taipa, e em sítios cujo tipico português costuma andar, por estudantes chinesas que nos pedem ajuda a praticar inglês- parei a minha conversa com o cris, durante cinco minutos, para participar numa conversa gravada como objeto de avaliação para a estudante macaense que me questionou sobre a minha viagem por Macau, em inglês.

pouco depois de sair do Macalhau continuei na minha aventura louca de procurar lembranças – reforço que numa viagem grande não devem deixar isto para a última da hora! claro que é também no meu ultimo dia de viagem que o tempo começa a piorar, de forma a estar igual ao meu estado emocional – agridoce – ora chove ora faz sol, mas procura-se abrigo de ambos esses meios.

já com o máximo de lembranças possível – dirijo-me para o metro, por duas simples razões: para manter a minha amiga e fiel leitora ana informada sobre os variadíssimos meios de transporte disponíveis, e para ouvir, pelos meus próprios ouvidos, a voz da caríssima Sara d’Abreu (recordam-se? APA?) falar – já que é a Sara que dá a voz aos avisos gerais do metro, em português.
aproveito para vos informar que o metro não é, de todo, o transporte de eleição dos locais macaenses. na verdade – se não fosse esta minha vontade de vos mostrar coisas, e se não fosse a voz da sara, nunca sequer teria feito parte do meu trajeto. macau viaja-se muito através dos autocarros – levam-nos onde for preciso e algo rapidamente – já o metro tende a ser visto como um meio lento e não muito prático, de transporte. no entanto- adorei!
ao comprar-mos um bilhete (mais caro que o autocarro, mas não muito caro) dão-nos o que se assemelha a uma ficha de poker (sendo que macau está recheado de casinos- vem muito a propósito). carregamos a pequena ficha azul durante a nossa viagem e entregamo-la à saída, no nosso destino final.

depois de voltar para perto do centro macaense – apanhei o autocarro e as três do costume foram beber cervejas para o fafafafa, antes de irmos para o restaurante italiano, onde celebrariamos o jantar final, desta minha viagem. para melhor marcar esta despedida – jantámos de perucas postas (aquelas perucas que tentei ir comprar à china, para as encontrar e comprar em macau); a joana e a vidinha surpreenderam-me com um pequeno miminho de despedida e garanto-vos que não vou ler nada daqueles papéis nos proximos tempos – aqui começou a doer imenso saber estar no fim desta minha aventura.

antes de irmos cantar, fomos ao casino, onde penso ter batido um record de dinheiro mais rapidamente perdido, num casino. apostei 100 patacas (10 euros) e perdi tudo, numa questão de cinco segundos. escusado será dizer que não fiquei uma aficionada do jogo (felizmente). mas posso sempre dizer que joguei num casino em macau!

acabámos a noite no mesmo karaoke que fomos quando foi a despedida da inês, onde continuamos a nossa fiel amizade com o cantor chinês Charles- continua a ser nosso amigo e companheiro de voz, mas que desta vez não nos pagou a festa (justo).

depois de muito cantarmos, fomos para casa- mas recusava-me a ir dormir, sem antes me despedir do meu caríssimo amigo (e sobrinho) caju. no dia seguinte ainda ia ver a vidinha, mas hoje teria de ser a minha despdida perante este meu amigo de quatro patas- tenho já muitas saudades tuas, caju, e do tímido crioulo também!

já na chegada ao barraco- o dia acabou também com um sabor agridoce, como seria de esperar. todas sabiamos ser o nosso último convivio, antes de me ir embora. é claro que não há de ser o ultimo, mas assim o será durante algum tempo- aqui a realidade macaense apanhou-me também desprevenida. mesmo com viagem marcada – parecia que me tinha mudado – havia feito a mala (de cabine) e agarrado na minha mochila e tinha ido começar outra vida, a 11 mil quilometros de distância. mesmo com bilhete de volta – algo em mim parecia ansiar de que não terminaria assim – mas dei por mim na minha última noite em macau, a empacotar a mala com mil emoções em cima e a querer, por tudo, ir dormir.

fechei os olhos pela última vez, naquela cama, para me despedir deste teto, no dia seguinte. será também o último post em que me despeço como sempre tenho feito.

até já,

guida, macau.


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