novembro em macau- dia 12

saudações caríssimos,

hoje tive um completo dia de praia, em Macau (mais especificamente em Coloane, na praia de Cheoc-Van). acordei depois de uma noite alongada (acordei perto da hora de almoço), vesti-me e apanhei o autocarro que passa, tal como o 25, mesmo perto do barraco – o 26A em direção à praia de Hac Sa (não é essa a praia para onde fomos). saí do autocarro cerca de cinco minutos depois de nele entrar – a parte boa de viver num barraco é a localização – não estamos muito longe da Taipa e a praia está mesmo ao nosso lado e fiquei a aguardar pela chegada da outra margarida do grupo (margarida oficial, vendo pelas idades), que chegou pouco depois de mim, à boleia do 21A.

andámos um pouco pela praia para eu tirar fotos e para puder experenciar o magnifico sinal de “cuidado com os cocos” e testemunhar a piscina vazia – é fechada no fim da época balnear – que este ano chegou ao fim no dia 31 de outubro. depois de puder ver o quão diferente é a praia asiática, comparando com a nossa sorte portuguesa, eu e a vidinha fomos almoçar na única esplanada que há ali – a Gôndola – um restaurante italiano (mas algo português, já que tinha super bock, caldo verde, e variadíssimas comidas portuguesas), que tem como parte do staff um gato bastante bem alimentado, que acompanha os clientes à casa de banho (foi adorável, até porque é um gato que adora mimos) – pedimos pizza, cerveja e ali nos mantivemos até ser noite – jogámos à bisca, onde levei possivelmente a maior coça da minha vida e falámos, uma vez mais, de tudo e nada. acabámos, como quem passa por diversos jogos, a debatermo-nos sobre enigmas morais impossíveis e hipotéticos, onde a joana feriu os meus sentimentos (quando se juntou a nós, depois do trabalho).

(que fique aqui notado que também não ajudava a joana, dentro de inúmeras opções, se estivesse ela prestes a cair dum penhasco – até porque ela foi escuteira e era menina para se safar)

ainda sobre a praia devo informar-vos que não são águas recomendadas a tomar banho – tanto pela forte presença de alforrecas, como pela poluição e lixo que desagua por ali.

já com a chegada da joana, e depois de mais umas cervejas e mais alguma comida – saímos dali e fomos acabar a noite, como acontece muitas vezes, num karaoke. e aqui, meus amigos, começa toda outra história.

ora – antes de mais vamos ser pessoas justas – nos karaokes há regras, e como civilização há certas normas que devemos seguir – neste estabelecimento foi-nos dito que cada mesa tinha direito a passar três músicas de cada vez – mesa número um (a nossa) poderia passar três musicas à nossa escolha e depois seria a vez da mesa número dois- podem passar também três músicas. concordámos, sendo que parece um compromisso justo.

cantamos a bette davis eyes, a hopelessly devoted to you, e outra música cuja memória me falha – tudo incrível. passamos a vez à mesa do lado – passa uma, passam duas, passam três, e o fim da terceira o microfone não vem para a nossa mesa. admito que a essa altura da noite já estava mais preocupada em acabar as cervejas que me meteram à frente (para não ficarem quentes) do que qualquer outra coisa, mas cantar era uma parte essencial deste nosso plano, e o ambiente, depois de deixarmos passar algumas rondas (apenas questionando o staff sobre a ordem das músicas), rapidamente ficou latino – já que as minhas amigas extrovertidas rapidamente se fizeram ouvir – o staff rejeitou qualquer questão e qualquer discordância que fomos tendo – foi uma discussão que facilmente se resolveria, fossem eles meter os sons que três portuguesas queriam ouvir e cantar – mas isso não aconteceu. foi quando estavam a passar a oitava música seguida da mesa número dois que me revoltei- sim era só uma noite de karaoke, mas tinhamos tanto direito a estar a usufruir daquele serviço como qualquer outra mesa e ao que parece – algumas situações destas tendem a acontecer, quando um grupo é rotulado de estrangeiro. depois da minha revolta – contida apenas entre mim e as minhas companheiras de voz- decidimos ir embora, já que estávamos a experenciar um concerto de música chinesa, e não a participar num karaoke – digo-vos, no entanto, que todas as vezes a que fui a um karaoke nesta viagem – nunca ouvi malta a cantar mal – cantar em karaokes é uma atividade extremamente comum na ásia e percebe-se porquê – a malta canta bem, então não me estou a queixar nesse sentido. ah – e peço-vos que vejam o melhor sinal alguma vez encontrado numa casa de banho! invés de “friendly reminder” escreveram “friendly reindeer” e isso foi a coisa mais engraçada de sempre, naquele momento.

depois de tudo isto- ainda levámos outro golpe triste – ao vermos uma conta de 400 patacas, por pagar (+/- 40€ por termos bebido três cervejas/imperiais cada). com tudo pago começámos a ir embora e fomos passear o sobrinho caju, antes de fecharmos a noite.

posso confessar-vos que nesta noite cometi dois crimes (delitos, vá) e foi uma noite extremamente divertida, havendo racismo ou não. se o governo chinês estiver a ler este blog, no entanto, estou obviamente a brincar – fui uma cidadã exemplar, na minha estadia aí, juro.

a caminho de casa ainda tive tempo de me apaixonar por uma das milhares de árvores espalhadas por Macau/Taipa/Coloane, que têm um QR CODE integrado (fala sobre a espécie de árvore, factos sobre ela e como é tratada). primeiro chamei-lhe cristina, depois mudei para cláudia.

quando chegámos ao barraco – deixei-me dormir, embalada por imagens de karaoke, praia, árvores e gatos rechonchudinhos.

até já,
guida, macau.


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Comentários

Uma resposta a “novembro em macau- dia 12”

  1. GENTEEE AHAHAHAHAH NOT VITIMA DE RACISMO NO KARAOKE insane ahahaha

    mas algo a apontar : eles cantam bem POR estarem sempre no karaoke!! acho que devíamos trazer esse costume para aqui, pra cantarmos todos bem e divertirmo-nos

    also shoutout a essa fonte enrolada no friendly reindeer – nunca tinha visto um 是 com a perninha encaraculada.

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